O Angra é uma de minhas bandas preferidas. Desde o primeiro disco do grupo, que possui clássicos do Heavy Metal tupiniquim, que tento comprar tudo que o grupo produz. Não é fácil, pois a música executada por eles passou por grandes mudanças (nem sempre benéficas), e comparar o primeiro com o último álbum é uma tarefa dura para quem não conhece o meio da história. Para falar a verdade, o grande disco da banda que me marcou muito foi o Holy Land, o segundo a ser lançado. O disco temático tinha muito de progressivo e sempre achei que esse deveria ter sido o caminho trilhado pela banda, mas isso é um saudoso passado.
Agora tenho em minhas mãos o novo disco do grupo. Intitulado apenas de Aqua, o disco é conceitual e tenta percorrer a história da peça A Tempestade de William Shakespeare. O disco também marca a volta do baterista Ricardo Confessori que fez parte do grupo entre 1993 e 2000 e que tinha abandonado a banda junto com André Matos e Luis Mariutti para formar o Shaaman. O disco foi lançado pela Voice Music e a produção do encarte, bem como a arte da capa, ficaram muito legais. O clima certo que pede um disco de Heavy Metal. Do ponto de vista técnico está tudo maravilhoso. A banda é competente e sabe o que faz, porém encontramos alguns probleminhas se considerarmos a estrada que o conjunto já percorreu.
Por ser um disco conceitual fico muito incomodado com a falta de ligação aparente entre as faixas. Não do ponto de vista das letras e sim do clima geral do álbum. Esse tipo de produção precisa pegar o fã pelo conjunto total. Do jeito que está é mais um disco com 10 músicas independentes entre si. Outra coisa que me desanimou é a questão da identidade. Sabe aquelas bandas que você ouve um timbre de guitarra ou um solo e já sabe quem está tocando? Está faltando isso para o Angra. Criar uma identidade que não mude a cada disco. Podíamos aceitar isso nos primeiros trabalhos (que possuíam uma personalidade gigantesca), mas já está na hora de definir um direcionamento para a banda. A terceira, e última característica negativa do disco, é a falta de peso nas músicas. Heavy Metal Melódico tem que fazer você ter vontade de balançar a cabeça raivosamente pela sala. Esse disco não me levou a isso. Para falar a verdade tudo é muito calmo.
O disco começa com a obrigatória introduçãozinha que tenta mostrar o lado clássico da banda. Depois temos aquela que é, com certeza, a melhor faixa do disco. Arising Thunder é a mais rápida e pesada música do disco. Bons solos, bateria marreta e boa interpretação vocal de Edu Falaschi (o cara mais gente fina do grupo). Depois a coisa fica meio morna com a correta Awake From Darkness e o resto do disco vai seguir a fórmula de tocar bonitinho e certinho. Depois disso temos Lease of Life, a música escolhida pelo grupo para virar o primeiro vídeo clipe do disco. Ela é lenta, melódica e até meio cafoninha. Não combina com o resto do disco e digo que foi a única música vaiada no recente show em Presidente Prudente. Quando o conjunto do disco é fenomenal, esses pequenos deslizes são perdoados. Afinal de contas quem se lembra da horrível versão para Wuthering Heights no primeiro disco?
Outros destaques do trabalho são as bacaninhas Spirit of the Air, Weakness of Man e Ashes. Não me arrependo de ter comprado o disco e acho que ele é bem melhor que o antecessor, Aurora Consurgens (2006). Mas, a galera tem que ralar muito ainda para ir rumo a sua identidade definitiva. Já são 20 anos de banda. Está na hora de isso acontecer.
