Hoje é Dia Mundial do Rock. Dia de lembrar o estilo musical mais apaixonante do mundo e de doar sangue, claro. Mas, tanto lembrar do Rock quanto doar sangue deveriam ser atividades rotineiras em nossas vidas, e não apenas em um dia do ano. Já cheguei a fazer grandes especiais aqui no blog nessa data, mas hoje resolvei lembrar de um disco que não é novo, mas que foi uma das grandes injustiças do mundo do Heavy Metal. Talvez um dos grandes exemplos da intolerância e falta de visão dos fãs desse estilo.
Em 1992 uma bomba caiu no meio musical pesado. Bruce Dickinson havia noticiado que sairia do Iron Maiden para dar continuidade a sua carreira solo. Talvez estivesse animado com a repercussão de seu primeiro disco, intitulado Tatooed Millionaire e que foi lançado em 1990. O disco é divertido, mas é só isso. Nenhuma grande inovação no estilo. Porém, a confusão estava lançada. Como encarar a banda sem o vocalista que muitos consideravam o melhor do Heavy Metal? Nesse ponto o evento foi utilizado para ganhar uma grana violenta encima dos fãs. Uma mega turnê de despedida foi agendada e dela tivemos dois discos ao vivo (A Real Live One e A Real Death One) e que no futuro foram vendidos como CD duplo (sim, isso ainda era na época em que o vinil era mais vendido por aqui). Finalmente Bruce deu adeus e ninguém sabia o que iria acontecer com a Donzela de Ferro.
Foi nesse momento que alguém teve a brilhante idéia de fazer um concurso para escolher o novo vocalista da banda. Quem estivesse interessado em concorrer era só mandar uma fita demo (quem lembra disso levanta a mão) para o empresário da banda e participar da seleção. Até o André Matos, na época vocalista do Angra, participou desse rocambole. Mais uma grande forma de conseguir publicidade para o grupo. Depois de muito esperar foi anunciado que o novo vocalista da banda inglesa seria Blaze Bayley, que cantava na banda Wolfsbane. Para nós que moramos no hemisfério sul a única pergunta que passava por nossas cabeças era: Quem? Isso mesmo. Para mim ele era um ilustre desconhecido e não tínhamos internet para ficar procurando pelas músicas de sua antiga banda. Restava-nos esperar.
Em 1995, três anos depois do anúncio da despedida de Bruce, chegava as prateleiras do mundo inteiro o disco The X Factor, o primeiro da banda com o novo vocalista. O legal é que esse disco foi o primeiro que comprei em CD em minha vida, já que o vinil não foi vendido aqui em minha cidade. Tive que comprar um aparelho de CD player rapidamente para poder ouvir o novo disco. A curiosidade me matava. Cabe aqui uma pequena explicação. Fãs de Iron Maiden são os mais raivosos, fanáticos e intransigentes do mundo do heavy metal. Chega a ser quase ignorância. Óbvio que odiei o álbum. Achava tudo muito devagar, a voz do vocalista uma porcaria e o timbre da guitarra muito esquisito. Eu e milhares de pessoas ao redor do mundo queríamos a volta de Bruce Dickinson. Queríamos continuar ouvindo o mesmo som sem mudanças e com a mesma cadência dos últimos 10 anos. Tantas foram as reclamações que a banda chutou o vocalista alguns anos depois e implorou para Bruce voltar. Esse aceitou já que não conseguiu sozinho produzir muita coisa que fosse relevante (para os mais esquentadinhos eu afirmo novamente que a carreira solo de Bruce produziu dois discos bacaninhas e a Tears of the Dragon).
Hoje, 16 anos depois, com uma bagagem maior de influências musicais e com um conhecimento mais detalhado do que é música de qualidade, posso afirmar que o The X Factor foi o disco mais injustiçado da história e que Blaze Bayley é um grande vocalista, dentro de seu estilo e respeitando suas limitações. Estou ouvindo o disco agora. As músicas são mais lentas, com um clima mais sombrio. A grande diferença, em relação aos discos anteriores da banda, é que a sonoridade das guitarras está mais grave do que aguda e o baixo está muito mais presente e relevante. Nada de cavalgadas, mas uma cadência que leva as músicas para o lugar certo. A obra é a prova de amadurecimento e a chegada da banda à idade adulta. Acima de tudo, foi um disco construído para as possibilidades do novo vocalista. Nada de gritos agudos ou batidas muito rápidas. Um disco perfeito. Arrisco a dizer que esse foi o último disco feito pela banda que todos gostávamos. O último exemplo de genialidade do Iron Maiden. O resto que veio depois é música para agradar as massas. Musicas feitas com receitinha de bolo.
Se você é um fã recente da banda, sugiro procurar esse disco. Sei que não é tão fácil de achar quanto os outros títulos do Iron Maiden, mas vale a pena. Acima de tudo, abandone a fé cega e religiosa de que Bruce Dickinson é o melhor do universo, pois não é, e abra a mente para o que foi produzido nesse disco. Não o classifique apenas como mais um disco da Donzela de Ferro e sim como um disco de música de qualidade. Você vai ser mais feliz desse jeito.

The X Factor é realmente um grande disco, bem como o Blaze Bayley um ótimo vocalista. Uma pena que do alto de meus 14-15 anos eu achava que a dupla The X Factor e Virtual XI eram os piores discos da Donzela.
Concordo com todo o teu post, no final, quando Bruce voltou e nossas agonias foram resolvidas o que restou de bom foi o Brave New World, mas eles estão tentando e o The Final Frontier tem muita coisa boa.
Abraço!
Excelente sua análise e concordo em quase tudo.
Nesse ponto acrescento que os fãs da terra brasilis
tem outros fãs raivosos, fanáticos e intransigentes
metálicos no que diz respeito ao Angra, Matos, Falaschi.
Angra é uma boa banda – sem dúvida!
Shaman foi uma boa banda – sem dúvida!
Andre é um grande vocal – sem dúvida!
Edu está mal – sem dúvida! -, mas foi um bom vocal quando
substitui o primeiro (Andre). E este, seguiu sua carreira
fazendo aquilo que sabe, compor e também cantar… mas os fãs
continuam querendo ouvir as receitas de bolo que você diz. No
caso do Andre, que faça algo dos tempos do Angra ou
do Shaman (o TTBF é exaltado; o Mentalize execrado).
Há ainda aqueles que anseiam por um trabalho emo-
trash-speed-black metal moderninho… enfim, fã de metal
(brasileiro, especialmente falando) é uma p*rr@ doida!
Ufhhhhhhhh… Parabéns pela página virtual.