Que fique bem claro que eu não tenho nada contra o Photoshop. A ferramenta é muito boa, quase perfeita (se não custasse uma fortuna) e se mostra uma mão na roda para quem trabalha com design e edição de imagens. Já vi pessoas fazerem coisas incríveis usando o programa. Também fique claro que não tenho nada contra edição de imagens. Isso faz parte da construção artística e é uma complementação ao ato de apertar o botão disparador da câmera. Quando utilizávamos filme fotográfico a maioria das pessoas ficava alienada dessa parte do processo que era executada nos laboratórios fotográficos. Mas, quem tinha a oportunidade de revelar seus próprios filmes sabe a quantidade de efeitos que eram possíveis de serem aplicados.

Depois dessa pequena introdução vamos até o tema desse texto. Eu nem estava sabendo, mas parece que finalmente a Renata Frisson, também conhecida pela alcunha de Mulher Melão, conseguiu um ensaio na Playboy. De todas as mulheres fruta sempre achei ela a mais injustiçada, pois nunca tinha conseguido uma exposição decente na mídia. Apenas programas de gosto duvidoso e campanhas bizarras. Tudo bem que rolou umas fotos especiais para o site Paparazzo, mas foi muito pouco. Agora a menina, que até tentou se eleger Deputada, vai conseguir morder o cachê grande e posar para a revista masculina mais famosa do país. Porém, nem tudo são maravilhas.

A primeira foto que a revista liberou para a grande mídia nos mostra uma das cenas mais bizarras de edição de imagem desde o caso Susana Vieira. A menina foi totalmente reconstruída, lixada e torneada para parecer uma boneca inflável, tanto na aparência quanto na textura. Alguns dizem que até o cenário da piscina ficou um pouco distorcido por conta de tanta manipulação. A coisa fica mais evidente quando olhamos uma foto feita por um paparazzi da menina em um posto de gasolina (segunda foto abaixo). Será que precisamos realmente disso? Abrir uma revista e nos depararmos com uma mulher fictícia, construída por pixels? Bem, se vai ser assim podemos então começar desde o zero e criar modelos totalmente virtuais. O pessoal que gosta de games de última geração já fica babando pelas personagens mesmo.


Senhores editores da Playboy, façam como os grandes mestres. Trabalhe a luz, a maquiagem, as posições mais interessantes, criem a ilusão de uma maneira saudável. Não adianta querer manter um padrão para todas as mulheres que são fotografadas, tem que se adaptar ao modelo de maneira que o trabalho fique pelo menos com cara de autêntico. Senão vamos começar a construir logo nossas modelos virtuais. Afinal de contas, não deixa de ser uma forma de arte.