Demorei muito para escrever este pequeno texto. A sétima temporada já vai começar na próxima semana e só agora vou colocar aqui as minhas impressões sobre a sexta. Acompanhar séries é muito complicado. A gente gosta dos primeiros episódios e com o tempo a história vai mudando, novos personagens aparecendo e muito da proposta original acaba desaparecendo. Mas, as cinco primeiras temporadas de Sobrenatural foram um primor de argumento. Tudo que aconteceu em cinco anos fazia parte de uma história primorosa que foi se completando até o grande clímax do embate entre Lúcifer e seu irmão Miguel. Pelo que ficamos sabendo está era a validade da série mesmo. Cinco temporadas dariam conta de mostrar toda a história. Mas, a série fez muito sucesso e uma sexta temporada foi confirmada.

Porém, a coisa não estava muito bem determinada. O arco de histórias envolvendo Lúcifer tinha acabado de uma maneira definitiva. Outro arco deveria começar ou a série passaria apenas a apresentar os terrores da semana, sem uma ligação entre os episódios. Um ponto crítico da coisa é que o criador da série, Eric Kripke, pulou fora da criação dos episódios e ficou apenas como Produtor Executivo. Muitos diziam que um futuro negro aguardava os irmãos Whinchester, mas não foi bem assim que aconteceu. A sexta temporada não bateu o padrão de qualidade das cinco anteriores, mas teve muita coisa bacana, embora o argumento geral tenha passado por três fases distintas. Porém, podemos resumir tudo o que aconteceu à busca pelo Purgatório.

A primeira fase desta temporada pode ser determinada pela volta de Sam Winchester (Jared Padalecki). Como ele saiu da prisão de Lúcifer e vários pormenores de sua personalidade não são explicados logo de cara. Logo descobrimos que muita coisa ficou maluca depois que o Apocalipse foi impedido. Também temos a volta à vida de Samuel, o avô de Sam e Dean (Jensen Ackles). Também descobrimos que todos estão trabalhando para Crowley (Mark Sheppard), que agora é o Rei do Inferno. Essa fase é muito chata, pois todo mundo nota que Sam está diferente e só descobrimos isso no episódio em que Castiel (Misha Collins) averigua que ele não possui alma, pois a mesma ainda se encontra presa na gaiola junto de Lúcifer.

A segunda fase começa depois de Sam recuperar sua alma, com uma ajudinha da Morte. Nesse ponto vários pormenores se encaixam e descobrimos que as criaturas que os irmãos sempre caçaram estavam se organizando a pedido da mãe de todos os monstros, uma entidade chamada simplesmente de Eve. Aqui pensei que estava nascendo o novo grande vilão da série, afinal de contas, o potencial da coisa era muito bom. Infelizmente durou pouco e a toda poderosa Eve morreu de uma maneira bem babaca. Sinceramente, um dos maiores anticlímax da série.

Depois disso, entramos realmente na terceira e última fase desta temporada. Contrariando tudo que seria lógico, Castiel se une ao demônio Crowley para juntos procurarem o Purgatório. Castiel estava desesperado pelo fato de estar perdendo a guerra contra o Arcanjo Rafael pelo controle do paraíso. Por isso ele se alia ao demônio para utilizarem o poder das milhares de almas que estavam no Purgatório. Embora possa não parecer, vários elementos ao longo da temporada apontavam para esse final e para os reais objetivos de cada personagem. Infelizmente ficou confuso e passou a impressão de falta de direção. Agora, definitivamente, não gostei do que fizeram com Castiel. O personagem não merecia este caminho.

Porém, alguns episódios são memoráveis e podem fazer parte da galeria de melhores momentos da série, mas quase todos são aqueles que destacam os momentos cômicos da série. Temos o episódio Appointment in Samarra onde Dean faz uma aposta com a Morte (Julian Richings) pela alma de Sam (o personagem da Morte é um dos mais bacanas em toda a mitologia da série). Nesse episódio também contamos com a excelente participação de Robert Englund, o eterno Freddy Krueger  dos cinemas. Outro ótimo episódio é The French Mistake onde os dois irmãos são enviados para o mundo real onde são conhecidos como os dois atores da série Sobrenatural. Em My Heart Will Go On conhecemos um mundo onde Balthazar (Sebastian Roché) muda a história ao impedir que o Titanic afunde em sua viagem inaugural. E, por fim, temos Frontierland onde os irmãos viajam no tempo até o Velho Oeste para encontrar Samuel Colt, o caçador de monstros, que pode ter a solução para destruir Eve.

Agora nos resta esperar pelo início da sétima temporada e descobrir se a melhor série dos últimos tempos vai ter uma longa vida nas telinhas. Eu espero que o padrão de qualidade seja alto, afinal de contas, como ficaremos sem o divertimento proporcionado pelos irmãos Winchesters?