Existem certas coisas no Brasil que são muito esquisitas. Talvez a culpa seja da onda do Politicamente Correto que está matando o humor neste país. Sempre digo que se os Trapalhões tivessem o seu programa exibido hoje em dia seriam processados e tirados do ar. Exemplo dessa mentalidade é a revolta causada pelo comercial dos Pôneis Malditos, uma peça publicitária hilária que foi um grande sucesso, mas que também causou algumas reclamações.

A mais recente vítima de pessoas sem o mínimo senso de humor é a campanha da fábrica de lingeries Hope que fez vários vídeos curtos (em média 17 segundos) com a top model Gisele Bundchen  explicando a maneira correta de dar péssimas notícias para os maridos. Eu achei engraçado, mas um monte de mulheres ao redor do Brasil achou que a campanha publicitária reforça o estereótipo da mulher objeto. Estas reclamantes devem ser as mesmas que assistem ao programa da Luciana Gimenez na Rede TV, onde mulheres fruta e outras que vendem a imagem do corpo são aceitas e viram celebridades.

Infelizmente, não é a campanha da Hope que passa a idéia de mulher objeto. É toda a mídia do Brasil que nos entrega essa ideologia. E o brasileiro é o primeiro a aceitar isso. Temos o exemplo das mulheres fruta que não possuíam nenhum conteúdo e venderam descaradamente seu corpo em revistas, jornais e na televisão. Não vi ninguém reclamando sobre isso. Programas humorísticos de todas as redes de TV e até o Pânico (que se diz diferente) utilizam mulheres turbinadas que não abrem a boca durante o programa. São apenas para embelezar o ambiente. E chegamos ao Big Brother aonde as candidatas do sexo feminino que chegam ao fim da competição são as gostosas burras.

Se for para punir algo que foi feito nitidamente como uma histórinha de bom humor, também tem que punir as situações ditas sérias. Não há diferenças entre elas e a mensagem é a mesma: se você é bonita isso basta para conseguir o sucesso, ou seja, você é um objeto. Mas, o brasileiro é sempre campeão em descobrir o errado em uma coisa insignificante e deixar passar o que realmente importa.