Já que hoje é Dia das Bruxas, nada melhor do que falar do final da saga do bruxo mais pop dos últimos anos. Ainda me lembro quando fui ao cinema para assistir ao primeiro exemplar da série, o único que consegui conferir na tela grande. Sempre preferi esperar os outros filmes saírem em vídeo, pois não sou necessariamente um fã da história. Para falar a verdade, até tentei ler os livros, mas não consegui. Não pude me adaptar à linguagem da escrita da inglesa J. K. Rowling. Achava tudo muito infantil e simples. Essas coisas me irritavam. Mas, sejamos justos. Os livros eram voltados para o público adolescente, então nada melhor do que uma linguagem fácil de mastigar.
Os filmes eram bem mais fáceis de acompanhar. Os três primeiros foram muito bons, e mostraram toda a magia de uma história voltada para mentes jovens. Porém, com o passar do tempo a história foi se tornando mais sombria e mais densa (pelo menos nos filmes) e o contexto se tornou mais complexo, inclusive com cenas de morte, o que fica um pouco longe das pretensões infantis do começo da história. Claro que a autora pode se defender dizendo que o seu público envelheceu junto com o personagem e estava exigindo algo mais complexo. Porém, conforme a história estava caminhando para um desfecho mais adulto, os filmes ficaram extremamente chatos.
Os quatro primeiros filmes trazem tudo que gostaríamos de ver em uma produção de fantasia e aventura. Personagens interessantes, histórias bem contadas, uma mitologia cheia de magia e muita ação. A ação, principalmente, ficou de fora dos últimos três episódios, sendo que o mais chato foi A Ordem da Fenix (2007), um filme tão chato que possui apenas os 10 minutos finais dignos de serem lembrados. O próximo filme, O Enigma do Príncipe (2009) foi pelo mesmo caminho e a última produção é que acabou salvando um pouco a pátria, porém apenas parcialmente.
Como a franquia estava acabando e a Warner queria lucrar o máximo possível com os personagens, decidiram dividir o último livro da série em 2 partes. A primeira parte de As Relíquias da Morte (2010) nos trouxe a metade mais arrastada e chata do filme. Claro que um personagem precisa ter algum conflito emocional para demonstrar um pouco de profundidade, mas em alguns momentos a coisa fica muito complicada. Longas cenas de silêncio e profunda agonia. Este é o tipo de coisa que necessita de bons atores e um ótimo diretor para dar certo na tela. Felizmente, a segunda parte do filme, que chegou aos cinemas em 2011 e agora está em DVD e BD, concentra toda a aventura e correria da batalha final contra o Lorde das Trevas.
Como já era sabido, Voldemort ressurgiu do túmulo e iniciou sua campanha de dominação do mundo dos bruxos. Porém, como sempre existe uma escapatória, Harry Potter descobre que o tirano dividiu sua alma e a escondeu em alguns objetos espalhados pelo mundo. Para matar o vilão seria necessário encontrar estes objetos e destruí-los. Infelizmente, a lista de aliados e locais para se esconder dos seguidores do Lorde das Trevas está diminuindo drasticamente. Junto a isso, somos apresentados às Relíquias da Morte, três objetos mágicos muito poderosos que foram conseguidos por três bruxos ao fazerem um pacto com a morte. Um destes itens, a varinha mais poderosa do mundo, vai ser o objeto de desejo de Voldemort para poder destruir Potter, já que as varinhas originais dos dois se anulam mutuamente.
A segunda parte de As Relíquias da Morte é um filme enxuto, dinâmico e cheio de aventura. O cerco final a escola de Hogwarts é magistral e os efeitos especiais estão perfeitos. Gosto destas grandes cenas de batalha onde existem diversas coisas se desenvolvendo ao mesmo tempo na tela. Você precisa assistir ao filme algumas vezes para ver tudo que está acontecendo. Porém, tenho uma séria crítica a fazer a autora da história. Creio que existiram mortes desnecessárias na trama. Personagens interessantes como o Elfo Dobby e o próprio professor Severus Snape não precisavam encontrar os eu fim. Porém, é uma maneira de garantir dramaticidade à trama.
Harry Potter é um fenômeno cultural, não tenho dúvidas. Mas, tanto os livros quanto os filmes são divertimento fácil de ser digerido e garante algumas horas de entretenimento. Só isso. Vale a pena comprar o box com todos os filmes? Claro, sempre é bom ter bons filmes em casa, mas só saberemos da longevidade do fenômeno daqui a 30 anos. Se sobreviver tão bem quanto Star Wars já está no lucro.
