Estava muito curioso para ver a nova versão de Conan para o cinema. A minha ligação com o personagem é antiga e marcada por duas mídias diferentes. A primeira foram as histórias em quadrinhos. Passei por uma fase em minha adolescência em que as revistas do gigante Cimério eram obrigatórias em minhas leituras. Já estava dentro do universo das histórias em quadrinhos e os traços em preto e branco e a violência da revista me conquistaram. Acho que o principal atrativo das histórias é que Conan não é um herói comum. Tudo bem que o senso de moral peculiar do personagem o leva a fazer coisas certas, mas ele é um ladrão, trapaceiro, assassino de aluguel e quase sempre age dentro de seus próprios interesses. O que chamamos hoje de anti-herói. A segunda mídia foi o cinema, onde o bárbaro foi interpretado magistralmente por Arnold Schwarzenegger em dois filmes (um perfeito e outro meia boca).
Aliás, o fato de ter muito apreço pelos dois primeiros filmes me fez duvidar um pouco se iria gostar desta nova produção. O primeiro ponto a levantar essa desconfiança foi a escolha do protagonista. Já conhecia Jason Momoa das aventuras de Star Gate Atlantis e por isso sei que ele não tem o mesmo porte físico de Schwarzenegger. Sei que poucos possuem tamanha força bruta, mas o austríaco chegava bem mais perto ao que vemos nos quadrinhos. Mas, o filme seria a chance de apresentar o personagem a um novo público que não o via no cinema há muitos anos. Embora seja um lance conflitante, o filme é bom e ao mesmo tempo é ruim.
Na história conhecemos o jovem Conan que nasceu em um campo de batalha e logo em sua adolescência já mostrou a ferocidade contra os inimigos. O ponto principal da trama é ligado a uma máscara que daria poderes sobre a morte para quem a possuísse. Na busca por esse poder, o maligno Khalar Zym (Stephen Lang) destrói a vila de Conan e mata seu pai perante o garoto. Logo, o bárbaro jura vingança e passa toda sua vida perseguindo o Tirano. Ou seja, uma história bem clichê e que segue a mesma espinha dorsal do filme de 1982, mas mudando um pouco os detalhes e o ponto principal de desejo do vilão principal.
O lado positivo do filme é que o figurino e a produção geral foi bem caprichada. Você realmente se sente na Era Hiboriana com todo o clima místico que encontramos nos quadrinhos. Qualidade que hoje em dia é quase uma obrigação em filmes tão caros e cheios de efeitos especiais. Porém, Jason Momoa não me convence como Conan. O personagem é um troglodita dos quadrinhos com força bruta e sede de destruição. O novo Conan é arrogante e sem profundidade. Falando nisso, nenhum personagem do filme tem alguma profundidade. Tudo é muito bidimensional.Sem falar da trama que não possui uma continuidade muito boa e se mostra como um monte de cenas costuradas. Uma trama que deveria ser de aventura se torna bem chata em alguns momentos.
Sei que pode parecer uma análise um pouco ranzinza, mas infelizmente foi o meu sentimento ao assistir a produção. Quem sabe daqui alguns anos não teremos mais uma grande produção do bárbaro feita com amor e por alguém que realmente entende o personagem.
