Ainda lembro-me do dia que entrei em uma loja de CDs (coisa que não existe mais aqui na cidade) e me deparei com o primeiro disco do projeto Avantasia. O ano era 2001 (caraca, já faz 10 anos) e não sabia nada sobre a iniciativa de Tobias Sammet em criar uma Metal Opera. Levei a bolachinha para casa e me surpreendi com o poder e qualidade das músicas, além da incrível quantidade de convidados mais do que especiais que estavam lá para tocar e cantar no disco. O tempo passou e outros discos do Avantasia apareceram no mercado, porém nenhum deles atingiu a qualidade desde primeiro lançamento.

Alguns meses atrás tomei coragem e comprei os dois últimos discos lançados pelo projeto. Eles chegaram ao mercado no mesmo dia e dão continuidade à saga iniciada no disco Scarecrow, o mais fraco de toda a carreira da banda. O primeiro disco, The Wicked Symphony é uma boa amostra de como fazer Heavy Metal com competência. Músicas bacanas, refrãos grudentos e convidados bacanas. Porém, neste segundo disco, Angel of Babylon, as coisas não funcionam tão bem assim. E isso é muito esquisito, pois os dois discos foram feitos juntos e lançados juntos, porém, mostram um direcionamento muito diferente.

Não digo necessariamente que é um disco ruim, mas as músicas não decolam. Você não tem vontade de sair cantando as músicas ou mesmo de colocar o disco novamente no aparelho de som. E olha que entre os instrumentistas temos gente no calibre de Bruce Kulick, Eric Singer, Henjo Richter, Jens Johansson e Alex Holzwarth. Entre os vocalistas, a surpresa mais bem vinda é a presença mais uma vez do mestre Michael Kiske e do capitão do Savatage o grande Jon Oliva. Também temos Jørn Lande, Russell Allen e Bob Catley.

A estrutura das músicas é aquela já conhecida dos fãs do Avantasia. Duas músicas longas e nove dentro dos padrões normais. Por mais contraditório que pareça, a música que mais gostei foi uma baladinha simpática que possui muita emoção e uma melodia cativante. Blowing Out the Flame é uma canção que poderia estar tranquilamente em qualquer coletânea de baladas metal. Fora isso, temos o destaque de Stargazers, Rat Race, Journey to Arcadia e Alone I Remember. Outro destaque interessante é a capa bem desenhada e que consegue capturar de maneira competente o espírito de um disco de Metal. Ouso dizer que é a capa mais bacana de um disco do Avantasia.

O disco não é uma maravilha, mas compensa comprar a versão especial com os dois álbuns. E esperemos que Tobias Sammet tenha mais inspiração para os próximos lançamentos.