Demorei muito para escrever este texto. Minha mente não conseguia se decidir se gostava ou não deste disco. Antes de falar dele gostaria de deixar claro que sou um grande fà do Within Temptation. Adorava o estilo europeu de misturar heavy metal com a temática gótica e dark. O mais bacana é que a banda possuía apenas um vocal feminino. Nada dos vocais guturais para dar uma contrapartida à suavidade da voz feminina. A voz de Sharon den Adel era perfeita. A moçoila cantava basicamente em falsete utilizando muito vibrato. Acho que era interessante porque era diferente. Ela não tentava copiar o vocal operístico do Nightwish como 90% das bancas com vocais femininos. Mother Earth (2001), por exemplo, é uma obra prima de melodia e emoção. Mas, algo mudou.
No penúltimo disco da banda, o bacana The Heart of Everything (2007), algo já estava acontecendo. O disco estava mais pesado, os vocais mais tradicionais e quase toda a carga de emoção e clima onírico havia desaparecido. Juro que foi uma das poucas vezes que me assustei com a mudança drastica de uma banda. Depois disso veio um disco acústico (An Acoustic Night at the Theatre) onde existia uma música bônus chamada Utopia. A música é muito legal, mas é totalmente diferente de tudo que a banda já havia feito. Um primeiro alarme já tocou em minha mente com o aviso de que o Within Temptation estava no mesmo caminho que havia destruído várias ótimas bandas europeias: a americanização de sua música.
Sim meus amigos. O mercado americano é o mais forte do mundo, e para entrar lá a sua música tem que seguir os moldes do país ianque. Nightwish e Lacuna Coil passaram por isso e eu simplesmente abandonei as bandas. Agora pode ser a vez no Within Temptation. O novo disco lançado em 2011, The Unforgiving, pode ser definido secamente com apenas uma palavra. Ele é POP. As guitarras desapareceram, varias batidas eletrônicas foram adicionadas, a voz de Sharon den Adel está esganiçada e as músicas estão com refrãos bem comerciais, daqueles que não desgrudam de sua cabeça. Isso torna o disco ruim? Claro que não, mas eu consumia o Within Temptation por causa do diferencial. Se eles vão soar como qualquer outra banda americana com vocal feminino então não preciso mais comprar os seus discos. Aliás, este é um fenômeno interessante. Toda essa onda de metal e rock pesado com vocal feminino começou na Europa. Depois apareceu o Evanescence sem nenhum tipo de novidade e vendeu milhões de cópias. Agora todas as bandas que foram pioneiras querem parecer com o Evanescence. Vai entender.
O disco possui 12 músicas que, do ponto de vista da composição, são muito parecidas. A bateria e o teclado se destacam muito, deixando a guitarra fica em segundo plano. O contrabaixo, como de costume, é praticamente inaudível. Uma nova característica aqui é a maior quantidade de solos de guitarra no meio das músicas. Nos discos anteriores isso era mais raro. Destaques óbvios são a segunda música Shot In The Dark que começa com uma batidinha eletrônica irritante, mas depois melhora muito. Em seguida temos a pedrada In The Middle Of The Night que faz você cantar junto o refrão. Também temos Faster, a música que se tornou vídeo clipe deste disco. Porém, a música mais comercial, e ao mesmo tempo a mais rápida do disco, é Iron onde podemos destacar um ótimo trabalho da bateria. Logo depois temos a música Sinéad que poderia muito bem ter sido gravada pela Avril Lavigne. Sério mesmo, pode tocar em qualquer FM do Brasil sem problema. Finalizando a seleção te melhores músicas temos Lost que é uma última suspiro de sobrevivência do antigo estilo da banda. Está é, com certeza, a melhor música do disco.
Embora seja um disco comercial ao extremo e não lembre absolutamente em nada o estilo que tornou a banca famosa, este disco não pode ser classificado como ruim. Dentro de sua proposta ele é bem sucedido. Já vi muita resenha pela internet babando o ovo sobre a produção, mas a maioria é de moleques que devem ter começado a ouvir rock com o Evanescence e outras bandas americanas. Ai fica fácil gostar do disco.

Gostei bastante da sua analise, realmente me identifiquei. Saudade dos antigos CDs. Se o Within continuar no mesmo caminho não vou mais escutar a banda.