Por incrível que pareça eu comecei a assistir a série Diários de Vampiro (traduzido no SBT para Diários de um Vampiro). Aqui temos o mesmo fenômeno que encontramos na década de 70 com o primeiro longa metragem de Star Trek. Na época, Guerra nas Estrelas fez um sucesso fenomenal nas telonas e a concorrência correu atrás de algo que fosse na mesma linha e pudesse abocanhar um pouco da fama criada pela história de George Lucas. Porém, neste caso específico, o sucesso foi trazido pelos filmes baseados nos livros de Stephenie Meyer. Crepúsculo nos apresentava uma galera formada por Vampiros emos que brilhavam no sol. Contradizendo tudo que Anne Rice escreveu (querendo ou não a mulher delineou tudo que se escreveu sobre o tema depois dela) os Vampiros se transformaram em seres bacanas e amorosos, esquecendo um pouco a fama de predadores da noite.

Para morder um pouco dessa fama (não resisti ao trocadilho) foram atrás da série de livros escrita por Lisa Jane Smith e cuja trilogia principal foi publicada em 1991. Porém, o formato escolhido para explorar a história foi de uma série de TV. Admito que tive muita curiosidade em ler os livros, pois geralmente são melhores do que as adaptações para TV ou cinema, mas desta vez me enganei. Os livros de Lisa Jane Smith começam bacanas apresentando os personagens e seus dramas pessoais. A série original, composta pelos três primeiros livros (O Despertar, O Confronto, A Fúria) apresenta uma história fechada, muito bem construída, levando em consideração o clima de romance. Porém, no quarto volume a história se perde. Foi uma tentativa de voltar à história original ressuscitando um personagem importante que tinha morrido ao final da história. Tudo fica muito confuso e a história perde o foco. Assim como na série de Stephenie Meyer o livro é direcionado para adolescentes e o drama e o romance são mais evidentes do que o suspense e o terror. Depois do início da série de TV a autora iniciou a produção de uma nova trilogia. Mais três livros já foram lançados e um quarto está em produção.

Depois da experiência com os livros decidi que não valia a pena assistir a série, pois achava a trama fraca. Em sua estréia até dei uma olhada nos primeiros episódios, mas já conhecia a história e poderia achar tudo muito chato. Aliás, estou tendo este problema ao ler o primeiro volume das Crônicas de Gelo e Fogo – Guerra dos Tronos. Já tinha assistido a minissérie da HBO e praticamente já sei o fim da história. Mas, voltando ao tema deste texto, um belo dia meu irmão chegou com as duas primeiras temporadas de Diários de Vampiro em DVD. Como ele estava assistindo decidi dar uma nova chance a série. E não me arrependi. A produção aproveita a espinha dorsal criada por Lisa Jane Smith, mas a história possui diferenças gritantes e todo o enredo caminhou para um desenvolvimento de longa duração que não possui ligação nenhuma com os livros. Felizmente, a série de TV possui um argumento mil vezes melhor do que a série literária.

Na TV toda a trama é trazida para uma única cidade. Nada de Vampiros criados na Europa. Elena tem mais profundidade, suas amigas possuem personalidades bem diferentes, a história flui com reviravoltas a cada 5 episódios e foi criada uma mitologia longa que não existe nos livros. Coisas que são bacanas na TV: Os lobisomens são mais brutos; Stefan não é um bundão afeminado, sendo que seu lado negro é muito mais ultrajante do que de seu irmão; bruxas são poderosas e podem bater de frente com os seres sobrenaturais; os caçadores de vampiro são mais organizados; os Vampiros conhecidos como Originais são muito bacanas; Damon tem um senso de humor ferino, tonando as histórias bem mais interessantes; e a continuidade não trata o espectador como adolescente.

Embora seja uma produção voltada para um público jovem, Diários de Vampiro trazem um enredo bem construído, personagens fortes, mistérios que está me fazendo roer as unhas (afinal de contas, o que está escondido dentro do caixão lacrado?), ação e bom humor. Tudo que precisamos para garantir um bom entretenimento na televisão. O único ponto negativo da série no Brasil foi à escolha dos dubladores de alguns personagens. Em um país que se orgulha da indústria de dublagem o trabalho aqui é uma bela porcaria.